Viagem de Estudo à Serra Catarinense 2018

Nos dias 20 e 21 de outubro realizamos a Viagem de Estudo à Serra Catarinense, direcionada para entusiastas e estudantes do vinho, com o objetivo de oportunizar um aprofundamento nos conhecimentos através da experiência e do aprendizado com quem está intimamente envolvido na elaboração do vinho – do vinhedo à vinícola.

O programa incluiu visitas técnicas aos vinhedos e vinícolas, degustações e atividades com os enólogos, almoços harmonizados e o acompanhamento durante todo o roteiro da sommelière Marcia Amaral.

Os dias que antecederam foram de ansiedade, pela experiência em si – o que sempre acontece em qualquer viagem, e também de expectativa do tempo, uma vez que boa parte das atividades seriam ao ar livre.
Mas, fomos brindados por um dias lindos e aprendizados que superaram as expectativas.
Saímos de Florianópolis muito cedo para São Joaquim, às 6:00 do sábado, rumo à Villaggio Bassetti onde chegamos por volta de 10:30 e logo iniciamos a visita aos vinhedos e à vinícola, guiadas pelo enólogo Joelmir Grassi.
Joelmir compartilhou seus conhecimentos com um linguagem acessível e descontraída, que logo todos se sentiram muito à vontade.
Foi excelente ter a oportunidade de ilustração no vinhedo, daquilo que para muitos é só objeto de leitura.

O grupo, muito interessado, participou, fez perguntas, tirou dúvidas e em consequência, iniciamos o almoço na Villaggio Bassetti um pouco mais tarde do que o previsto. Mas, não havia nada do que reclamar, pois foi um sinal de todos aproveitavam muito.

O almoço de três pratos foi harmonizado com quatro vinhos:
A entrada foi Brusqueta Caprese, com o vinho rosé Villaggio Bassetti 2016.
Como principal tivemos Truta Grelhada com molho pesto de pinhão e Risoto de limão siciliano, acompanhado do Sauvignon Blanc 2016 e Ana Cristina Pinot Noir 2015 na sequência.
Finalizamos degustando o Montepioli, o qual é um vinho tinto corte de Cabernet Sauvignon e Merlot, e com a sobremesa da Chef à base de creme patisserie, suspiro e couli de frutas vermelhas.
O almoço estava bom e foi bastante generoso em quantidade. Porém, os vinhos da Villaggio Bassetti sempre roubam a cena.

Não muito longe dali ficava nosso próximo destino: Leone di Venezia. Nossa visita ali iniciou próxima das 15:30, pelos vinhedos. Fomos guiados pelo enólogo Eduardo Strechar – um manézinho que já deu muitas voltas ao mundo e parou neste lugar encantador – e descobrimos as particularidades da condução das vinhas, nesta vinícola que optou por trabalhar somente com castas de origem italiana.
Seguimos pela cantina, onde várias etapas do processo de enologia foram apresentadas, tivemos degustações de vinhos especiais em fase de elaboração.

Para o final de sua apresentação o enólogo reservou uma experiência que poucos participantes haviam presenciado antes: dégorgement com o vinho base de espumante método tradicional e ancestral (1ª e única fermentação na própria garrafa) que será o primeiro neste estilo da vinícola – uma experiência única!

Antes de nos despedirmos da vinícola, compartilhamos uma mesa de frios, antepastos e pães preparada com muito esmero, e degustamos então alguns dos rótulos já engarrafados:
Garganega – Vinho Fino Branco Seco 2016;
Oro Vechio – Vinho Fino “âmbar” Seco 2017 (vinho laranja);
Palazzo Ducale – Vinho Fino Tinto Seco 2016 (pré-lançamento).
Montepulciano – Vinho Fino Tinto Seco 2016.

O sol já havia se posto, quando partimos rumo à Lages, onde escolhemos nos hospedar para continuarmos a viagem cedo do dia seguinte.

Logo depois das 9:00 do domingo, saímos para a Abreu Garcia, que está localizada em Campo Belo do Sul. A distância até lá é de menos 67 km, mas 17 km deste trecho não tem asfalto e eu confesso, havia esquecido deste detalhe completamente . Talvez porque não me incomode com este breve desconforto, ou porque eu sabia o que nos esperava no final do trajeto.
Ao chegar à Abreu Garcia, o encantamento com a paisagem e a hospitalidade nos fazem esquecer qualquer pedra no caminho.

Fomos recebidos pelo enólogo Leonardo Ferrari – um jovem e talentoso profissional – que havia preparado nossa experiência de corte de vinho de uma maneira impecável e irretocável.
Porém, antes desta, ainda realizamos degustação às cegas de um vinho branco, Sauvignon Blanc, ainda em fase de elaboração, e na sequência de vinhos tintos – alguns acabados ou ainda com processos a serem feitos, os quais fariam parte de nosso assemblage experimental. Mais uma experiência inesquecível iniciava.Brincamos um pouco de enólogo, cientistas, químicos e alquimistas para aprendermos muito sobre as castas e o quanto e como elas podem se complementar. Foi memorável.

Ao finalizar esta atividade, degustamos três espumantes já engarrafados, e iniciamos nosso almoço pelo receptivo com canapés deliciosos e criativos preparados pelos chefs responsáveis pelo cardápio, Fabrício Klein e Pedro Soares, antes de descermos à cantina para absorver mais conhecimento, aprender como se faz vinho, incluindo com a experiência de remuage de espumante um método tradicional.

 

Voltamos ao almoço harmonizado que deixou um retrogosto de encantamento:
A entrada foi o Sauvignon Blanc Abreu Garcia harmonizado com Terrine de salmão, mil folhas de queijo fresco e vinagrete de araçá.
Como prato principal tivemos o vinho tinto Abreu Garcia Cabernet Sauvignon/Merlot  harmonizado com Costela, trilogia de batatas, farofa de pinhão e tomates assados.
Para finalizar com chave de ouro, a sobremesa foi Pudim de mandioca, doce de leite de cabra, tuille crocante e sorbet de amora, harmonizada com o espumante Rosé Brut Abreu Garcia.

Depois deste banquete, precisávamos de uma caminhada. Subimos a ladeira que leva aos principais vinhedos da vinícola, vizinhos a um importante sitio arqueológico e também à capela – cenário para várias celebrações.
Era hora de dizer tchau. Um pouco cansados pelos dois dias intensos, mas plenos de satisfação pelo que eles nos trouxeram.

Em uma avaliação sobre a viagem, um dos participantes comentou:
“Cada vinícola agregou de uma forma diferente. Propositalmente, ou não, a sequência de visitação foi muito bem pensada.
O fato de que em cada vinícola passamos por experiências diferentes, isso foi o que trouxe o brilho da viagem. Se de repente alguma delas não tivesse apresentado esses momentos, talvez pudesse ter sido um pouco cansativo.
É verdade que foi intenso, mas as experiências superaram qualquer cansaço.

Muitíssimo obrigado por tudo. Tive uma injeção de energia com a tua viagem. Às vezes temos que nos lembrar que o nosso trabalho, por mais crítico que esteja, se reverte em situações como essas. Abençoados são aqueles que trabalham vivendo e não vivem trabalhando!” – Marcelo Seleme Matias.

Com este testemunho termino o breve relato do que foi esta viagem de estudos e prazeres, que já deixa saudades!
Mas, já é certo que outras viagens de estudos virão, para vivenciarmos tudo o que é visto na teoria em cursos e degustações de vinhos, e diminuirmos a distância entre o vinhedo e a taça.

Saúde!
Marcia Amaral

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