Vindima de Altitude 2019 – Villa Francioni

A convite da organização da 6ª edição Vindima de Altitude, que celebra a colheita das uvas em São Joaquim e região, um grupo da mídia e eu visitamos 5 vinícolas no último sábado de março.
Em algumas a visita foi bastante rápida, mas podemos ter uma ideia da proposta de vinhos e turismo que oferecem.
Aqui relato a primeira visita destas.

Villa Francioni
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Não é lenda, tampouco fake news, que um vinho rosé deu visibilidade ao potencial do vinho catarinense.
Isto aconteceu no ano de 2009 pelas mãos de um sommelier brasileiro de grande prestigio, Manoel Beato, quando este indicou à Madonna – a eterna rainha do pop e a qual já é uma lenda – o vinho VF Rosé da vinícola Villa Francioni de São Joaquim.
Como reza a tradição brasileira, após validação estrangeira, os olhos se voltaram para vitivinicultura da Serra Catarinense.

Apesar de já conhecer vários rótulos seus, entre eles o rosé, eu nunca havia visitado a Villa Francioni. Mas, nesta oportunidade finalmente conheci a vinícola que ajudou a colocar no mapa o vinho da região.
Nei Rasera, enólogo da Villa Francioni

Nosso grupo foi recebido pelo enólogo-chefe vinícola, Nei Geraldo Rasera – o que certamente fez toda a diferença. Nei é natural de Bento Gonçalves (RS) onde teve sua formação em enologia. Ele ainda carrega o sotaque da serra gaúcha e continua a por às mãos no mosto – naquela relação intima de quem tem o vinho na vida.
Fomos privilegiados de ter o Nei para nos apresentar as instalações e os vinhos.

A visita iniciou por uma galeria de arte, e percorreu desde o nível superior onde há recepção das uvas, até o subterrâneo onde estão as barricas de carvalho, em um total aproveitamento do declive do terreno e do uso da gravidade para o processo de elaboração.

O local impressiona pelo tamanho – se comparado às outras vinícolas da região.
Com capacidade produtiva para 300.000 garrafas, a vinícola atualmente utiliza a metade desta para seus próprios vinhos.
Há também muita beleza e esmero na edificação, os quais já seriam interessantes. Mas, o fundamental é que estão também nos vinhedos, e esta dedicação se reflete nos vinhos.

Na sequência degustamos um vinho que conheço muito bem e o qual considero uma referência de qualidade em seu estilo no Brasil: VF Chardonnay Lote IV, o qual é um corte de duas safras, 2015 e 2016, e teve fermentação alcoólica e maloláctica em barricas de carvalho francês novo por 12 meses e período de batonage sur lie em sua elaboração.

A degustação que finalizou nossa visita foi memorável: VF Dilor 2009, um corte de Cabernet Franc, Merlot, Malbec, Cabernet Sauvignon, Syrah e Petit Verdot que permaneceu por 30 meses em barricas novas de carvalho francês e passou por guarda de dois anos de garrafa antes de iniciar sua comercialização.
Agora, após 10 anos de sua safra, tem estrutura, complexidade, equilíbrio, e ainda está incrivelmente jovem. Suas notas de pitanga nos conectam ainda mais com ele, como uma certeza de que há grandes vinhos com identidade bem brasileira.
Ele pede comida, mas ali entre eu e ele a conversa foi boa, sem nem precisarmos sentar à mesa.


Definitivamente, 2009 foi um bom ano.

Villa Francioni, por Dani Lottermann
Villa Francioni, por Dani Lottermann

Saúde!
Marcia Amaral

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