Recuerdos de Uruguay – Relatos da Viagem (parte 2)

No segundo dia no Uruguai, um domingo, depois de uma breve mirada na tradicional feira de rua de Tristán Narvaja e um café da manhã com bizcochos, fomos em direção ao departamento vizinho ao de Montevidéu: Canelones.

Desta vez, utilizando o transporte público, que nos serviu bem e deixou próximo ao destino.

Alguns minutos antes do agendado chegamos à vinícola, Varela Zarranz, localizada em  Joaquín Suárez.

Varela Zarranz

O caminho da entrada já conta um pouco da história, desta secular propriedade.

a dona de tudo

Oliveiras traçam o trajeto do portão de entrada à recepção. Mas, é fácil perder-se no cenário de tons degrade do inverno e nós erramos a entrada, indo parar na cantina, e por fim advertidos em latidos da ‘Negrita’ de que não era permitido andarmos por ali desacompanhados.

Negrita é uma “vira-latas” que adotou a vinícola e considera-se dona de tudo ali. Mas, bastou bem pouco tempo para a Negrita nos aceitar em sua propriedade e nós nos sentirmos muito à vontade.

Porém, não foi à interação com a cachorra e sim toda a hospitalidade de nossa anfitriã, Victoria Leira, que nos fez sentir em casa.

Victoria guiou nossa visita compartilhando história e conhecimento de uma forma leve, descontraída e informativa.
Com ela nos comunicamos em português – o qual parece ser o idioma oficial do turismo no Uruguai, tamanha é a quantidade de brasileiros que visitam esta vasta campanha.

Iniciamos a visita por onde o vinho nasce, nos vinhedos. Nestes, a umidade no solo que pode ser um problema, é amenizada pela pequena inclinação dos vinhedos e pela abundante vegetação entre eles, mantida para absorver a água do solo antes das raízes da vinhas. Nestas, uma parte do trabalho de inverno havia sido feito com a pré-poda onde se retira os ramos velhos da planta, que produziram no ano, após o início da queda das folhas, numa forma de poda de limpeza que adianta e facilita o trabalho de poda.

O sistema de condução de seus cem hectares de vinhas é todo em Lira, com produção de uvas de ambos os lados, o que pode aumentar o trabalho dedicado em cada planta, inclusive para o raleio – que é a sua principal forma de controle de qualidade ainda no campo, sendo este um dos principais critérios para a diferenciação das linhas de produto da vinícola.

proporções para grande volume

Varela Zarranz tem vários perfis de produto, sendo que o maior volume é o de vinho de mesa de vitis vinífera. Este tem proporções muito grandes em vários aspectos, e obviamente na estrutura necessária para sua produção.

A vinícola tem histórico importante na liderança do setor, neste segmento de produto.

Também faz parte de sua história sua relevância para vitivinicultura uruguaia, desde sua fundação em 1888, por Diego Pons.
Diego Pons, político de carreira que faleceu em dezembro de 1944, somente descansou quando encontrou na família Varela Zarranz os melhores continuadores do seu projeto, e então vendeu a vinícola para estes em setembro de 1944.

“Desde então, os novos empreendedores reuniram os clássicos conceitos do compromisso com a tradição e com a qualidade, aos quais somaram os da inovação.” – menciona o site da empresa. O que é a mais pura verdade, não somente expressa na estrutura diferenciada para elaboração dos vinhos finos de qualidade superior – identificados no Uruguai com o selo de controle de V.C.P. (vino calidad preferencial) – como também o que provamos na taça.

Vamos então ao que provamos na taça!

Já acolhidos no antigo porão, transformado em sala de degustação, iniciamos com um varietal da família dos moscatos, Muscat Blanc à Petits Grains (também conhecido como Moscato Bianco) da linha Clásica (o que para nossos países vizinhos significa: sem madeira).
Na sequência degustamos da linha Roble (de 8 a 10 meses em carvalho) um Marselan – a qual é tida por muitos como uma variedade com grande potencial no Uruguai.
Dá linha Premium conhecemos um excelente e macio Tannat, o qual passou por carvalho francês e americano por um período de apenas 6 meses.

Finalizamos com uma estrela da casa, o Nature Varela Zarranz, um espumante método tradicional, 50% Chardonnay e 50% Viognier, que tem no mínimo 36 meses de contato com as lias.

A degustação incluía tábua de queijos e frios, deliciosas empanadas diversas e como sobremesa um sorvete de creme com calda de tannat divino, a um custo de USD 45 (dólar é a moeda referência no país) e foi uma ótima experiência, concluída com a surpresa de bons vinhos, sendo a maior revelação  o espumante, o qual é vendido na vinícola por 450,00 pesos (+- USD 12,80).

Porém, o que foi novidade para nós já é uma referência antiga no Uruguai, pois a vinícola há mais de 120 anos se destaca com as borbulhas.

No próximo relato estaremos na região de Carmelo.

Até breve, ¡salud!
Marcia Amaral

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