Recuerdos de Uruguay – Relatos da Viagem (parte 3)

Seguindo pela Ruta 1 em direção ao oeste do Uruguai, chega-se à Colônia do Sacramento em uma viagem tranquila de 177 km da capital Montevidéu.
A histórica e turística cidade, a qual é capital do departamento de Colônia, foi fundada por portugueses e sempre teve um papel importante para a região pela sua posição geográfica.

Um pouco mais ao norte no mesmo departamento, onde o rio da Plata encontra o rio Uruguay, está Carmelo, para onde tomamos rumo no terceiro dia no país.

Carmelo é uma cidade pequena, de pouco mais de 18.000 habitantes, com atmosfera e importância rural, figura na rota vitivinícola do Uruguai e é um importante destino para os amantes do vinho, daqueles que gostam da vida campesina e também da luxuosa.

Neste relato vou mencionar nossa visita à parte sofisticada de Carmelo, a uma vinícola que faz parte de um empreendimento que abrange vários negócios: fazenda produtora de massas, queijos, doces (incluindo aquele que é tido como o melhor doce-de-leite uruguaio) um hotel boutique Relais Chateaux, de cinco quartos apenas, e dois restaurantes – sendo um junto à propriedade em Carmelo e outro em Punta del Este: Narbona.

Narbona

Narbona está situada muito próximo ao rio e tem uma área total de 50 hectares. Porém, bem menos da metade disto é de vinhedos, sendo que a tannat tem a maior área ocupada, com 15 hectares.
Ao se chegar ao local, tem-se a sensação que estamos em outro tempo, mais precisamente em 1909, quando Juan de Narbona fundou ali uma adega. Porém, apesar das aparências, é uma vinícola contemporânea.

Atualmente, todo este negócio – e vários outros em Carmelo – pertencem ao argentino Eduardo Cantón, cujo investimento incluiu a restauração do prédio principal em 1990, mantendo as características e tradição original, começou a plantação de vinhedos em 1998 e a construção de uma nova adega em 2010.

Ainda que a empresa seja jovem, Narbona já ganhou destaque com seus vinhos, senda a estrela entre eles o Luz de Luna Tannat, cuja safra de 2011 galgou a premiação de Tannat N° 1 do Uruguai, no concurso Tannat al Mundo do mesmo ano, quando Michel Rolland ainda era consultor da vinícola. Naquela época, a enóloga responsável já era a dinâmica e multitalentosa Valeria Chiola.

Foi justamente a Valeria quem nos acompanhou, apresentou a vinícola e seus vinhos, em nossa primeira visita em Carmelo. A também jovem enóloga não poupou esforços para fazer de nossa experiência a melhor e mais completa possível.

Para iniciar, nos foi servido o Narbona Pinot Noir 2015 como boas-vindas até que Valeria pudesse estar conosco. O dia estava frio e o vinho também. A sala com lareira amenizou a temperatura do ambiente, mas não alcançou o vinho – o que comprometeu um pouco a percepção do que estava na taça.

Como fomos numa segunda-feira, de um dia de inverno, havia poucas pessoas visitando e hospedando-se no local. O que nos deu a oportunidade de explorar e descobrir todo o lugar com bastante calma e tempo, antes mesmo de começar a visitação propriamente dita.

Então, com o privilégio de ter a enóloga nos guiando, iniciamos nosso dia de vista à Narbona após uma breve introdução sobre a biografia, o empreendimento, os vinhedos e os vinhos, cercados pelos prédios construídos com a pedra que é a base do local onde a vinícola está: calcário.

A primeira edificação que visitamos foi onde estão os tanques e barricas de madeira.
Os primeiros, modernos, com serpentina interna, usados para a elaboração do vinho. Os outros, tradicionais, para o amadurecimento.
O carvalho é um elemento importante nos vinhos da vinícola, mas que vem diminuindo sua presença nos últimos anos para que a fruta se expresse mais.

Em uma ordem inversa ao da elaboração, seguimos para o local onde inicia o processo, numa cantina nova e bem equipada para atender a produção de aproximadamente 100 mil garrafas.

Passamos por um pequeno alambique onde se faz grapa, que para atender a maioria dos paladares tem a adição de mel, sendo este outro produto entre as muitas possibilidades de deleite que o local oferece.

Naturalmente, a visita culminou na degustação de vinhos. Conciliamos o fato de que já era momento de almoçar, unimos a refeição à degustação.
Como o restaurante do local estava fechado, fomos a outro estabelecimento, do mesmo proprietário, Resort & Spa by Hyatt, o qual conta com um excelente restaurante chamado Pura – o qual tem como chef executivo, o também argentino, Julio García Moreno.

Iniciamos a degustação por um vinho com personalidade e identidade própria, Narbona Tannat Rosé 2018 – o qual pode ser uma surpresa para aqueles que associam vinhos rosés a um estilo “vinho para tomar na piscina num dia de verão em férias no mediterrâneo” – o que com certeza é agradável. Mas este é prazeroso de outra forma.
Este rosé, elaborado pelo método saigneé e que passa por batonnage durante os seis meses que fica em barrica de carvalho, traz consigo a própria identidade uruguaia. Ele tem uma potência elegante, onde a robustez do tannat, que amenizada na versão rosada, ainda mostra as características da uva e do estilo tradicional de seus vinhos no país. Ele passa por barrica – o que é sutilmente perceptível.
É um vinho gastronômico com certeza, que acompanha bem diversos pratos, desde uma tábua de queijos e frios, até pratos com proteína. Seu preço de venda no país é aproximadamente 365 pesos.
Assim são os clássicos, refletem a identidade do local de origem, e no país da melhor carne do mundo, o vinho é pensado para acompanha-la.saigneé Iniciamos a degustação por um vinho com personalidade e identidade própria, Narbona Tannat Rosé 2018 – o qual pode ser uma surpresa para aqueles que associam vinhos rosés a um estilo “vinho para tomar na piscina num dia de verão em férias no mediterrâneo” – o que com certeza é agradável. Mas este é prazeroso de outra forma.
Este rosé, elaborado pelo método que passa por batonnage, traz consigo a própria identidade uruguaia. Ele tem uma potência elegante, onde a robustez do tannat, que amenizada na versão rosada, ainda mostra as características da uva e do estilo tradicional de seus vinhos no país. Ele passa por barrica – o que é sutilmente perceptível.
É um vinho gastronômico com certeza, que acompanha bem diversos pratos, desde uma tábua de queijos e frios, até pratos com proteína.
Assim são os clássicos, refletem a identidade do local de origem, e no país da melhor carne do mundo, o vinho é pensado para acompanha-la.

“Al pan pan y al vino vino” – Dito uruguaio que se refere a franqueza.

Seguimos a degustação/almoço com o mesmo Narbona Pinot Noir 2015 apresentado na recepção, só que agora na temperatura certa – o que favoreceu muito o vinho e pudemos notar mais as frutas.

A sequência foi com Narbona Tannat Roble 2014, uma estrela em ascendência da vinícola, a qual superou o vinho mais caro da casa em avaliação pelo Wine Enthusiastic no início do corrente ano: Tannat Roble 2014 obteve 93 pontos e Luz de Luna 2014 levou 91, na degustação do editor Michael Schachner.
Assim como Schachner, creio que o Tannat Roble 2014 tem ainda mais tempo de vida pela frente, e acredito que mais um par de anos amaciaria ainda mais o vinho. Mas, como está, já está no melhor estilo de um tannat: pedindo por uma carne bem suculenta.

Os próximos relatos serão do dia seguinte, onde continuamos a descobrir os vinhos e hospitalidade em Carmelo.

Até breve,
¡Salud!
Marcia Amaral

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