Recuerdos de Uruguay – Relatos da Viagem (parte 5)

Nossa última visita em Carmelo, e também no Uruguai, reservava outros ótimos vinhos, hospitalidade carmelitana, tradição uruguaia e agradáveis discussões.

Fomos recebidos na vinícola Campotinto por Johana – quem com simpatia recebe os visitantes – e também pelo enólogo Daniel Cis Godoy.
Foi um grande privilégio ter a presença de Daniel, quem também é responsável técnico pela enologia de várias outras vinícolas locais incluindo a recém visitada El Legado.

Daniel teve toda boa vontade em acolher e mostrar o resultado do trabalho desta pequena vinícola (25.000 garrafas são produzidas), a qual faz parte de um empreendimento que inclui um loteamento entre vinhas, um restaurante e uma pousada já reconhecida como uma dos melhores lugares para amantes do vinho se hospedar.

Começamos pelos vinhedos, onde ele mostrou a variedade branca que acredita ter grande potencial para a região: viogner.
Daniel comentou que essa variedade foi introduzida na região por Dante Irurtia, há mais de 30 anos, e que ele a considera excelente, com vinhos muito equilibrados, elegantes e com grande expressão da variedade, com aromas de pêssego, abacaxi, e com muito volume.
Não havia vinho dessa variedade disponível para degustar, mas confio na palavra de Daniel.

Por falar em palavra, tivemos uma agradável e proveitosa conversa enquanto degustávamos vinhos, na sala de degustação, localizada em um prédio antigo e recentemente reformado, que acolhe os visitantes como se fosse uma casa – com um lindo gato dormindo no sofá, inclusive.

Ali, ao redor de uma mesa de centro, conversamos sobre mercados, tendências, estilos, perspectivas, identidade dos vinhos, brindamos e provamos eles.
Os primeiros dois vinhos apresentados foram cortes: Campotinto Tannat-Merlot e Campotinto Tannat-Cabernet Franc, ambos da safra 2017, que foram uma agradável surpresa, em vários sentidos, principalmente por não terem contato com madeira – o que parece ser uma obrigação em qualquer estilo de vinhos na América do Sul.
O objetivo da vinícola é elaborar tannats de alta qualidade, e também cortes.
Acredito que fizeram uma ótima escolha para os parceiros de blend. Sendo que a união da uva ícone com o cabernet franc foi a que mais me agradou.

A sequência foi com os vinhos varietais da casta principal. Degustamos o Campotinto Tannat Reserva 2016, Campotinto Tannat Grand Reserva 2017 e o Tannat Icono 2017.
O enólogo comentou as particularidades deles:

“A primeira diferença é relativo às parcelas de vinhas, para o Ícone a mais alta qualidade de todos é escolhida e sua produção média não excede 2 quilos por planta, para a Grand Reserva 3 a 5 parcelas de excelente qualidade são escolhidas com uma produção média 2,5 quilos por planta e para a reserva são parcelas de 3 a 3,5 quilos por planta.
Na elaboração também há diferença nos dias de maceração: o Ícone excede 20 dias, a Grand Reserva é de 15 dias e o Reserva é de 10 dias, a última diferença é no uso da madeira, para o Ícone é utilizado carvalho novo francês, para a Grand Reserva é utilizado carvalho americano novo e de segundo uso, e para o Reserva elas são segundo e terceiro uso. O tempo em contato com a madeira também varia: o Ícone um ano e meio, o Grand Reserva um ano em média, e o Reserva de 9 a 10 meses.”

O que não foi uma surpresa para mim, foi o vinho que mais me impressionou: Gran Reserva – um tannat com a potência e força da variedade, na concentração perfeita, expressão equilibrada de frutas e madeira, e um longo e delicioso final. ¡Me encantó!

Outro destaque, que nos fez vivenciar um pouco da cultura uruguaia e o resgate de uma tradição, foi o Auguri Medio & Medio.
Medio y Medio é um vinho frisante, demi-sec, para o qual talvez torceríamos o nariz em outras situações. Mas que faz todo o sentido e vale a pena vivenciar – especialmente se for no jardim de Campotinto enquanto se espera o pôr-do-sol em Carmelo.
Esta versão deliciosa é elaborada com 70% de Muscat de Hamburgo e 30% de Ugni Blanc, sendo que ambos são colhidos simultaneamente no final de fevereiro, mas são fermentados separadamente. Uma vez terminados os vinhos, o corte é feito, o açúcar (40 g/l) adicionado e finalmente faz-se a gaseificação.

Terminamos com um brinde especial, pois era justamente o dia de aniversário de Daniel.
Daniel é um carmelitano, com tradição vitivinícola em sua família. Ele começou a trabalhar em 2001 na Bodega Familia Irurtia e hoje aconselha várias vinícolas.
Ele retrata muito bem a grande maioria dos profissionais do vinho de Carmelo: um nativo, orgulhoso de suas origens e tradição, devotado ao seu ofício de ser um facilitador para que o terroir consiga se expressar e cative a todos aqueles que tiverem o privilégio de vivenciar Carmelo, ou provar um pouco dele da garrafa.

Campotinto também representa bem muitos empreendimentos de Carmelo, os quais tem vigor, visão e valores conectados com a essência do lugar.
O negócio teve início em 2013 pela família “Viganó, com raízes em Fiesole, no coração da Toscana, sempre migrou em busca de lugares onde se sentissem confortáveis. Foi assim que esta geração chegou a Carmelo, com a ideia de fazer um lugar onde os seus e os outros se sintam confortáveis ​​e, em última instância, geradores de anedotas”, menciona o site e atesto eu.

¡Felicitaciones a Daniel, a Campotinto, y a todas las personas y bodegas de Carmelo que hemos visitado!

Marcia Amaral

P.S.: Confira os outros relatos da recente viagem ao Uruguai, clicando nos links abaixo

Bodega Spinoglio
Viña Varela Zarranz
Narbona Wine Lodge
El Legado Bodega Boutique

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s