Wine South America

Há exatamente uma semana terminava a segunda edição daquela que é hoje a maior feira de negócios de vinho da América Latina: Wine South America (WSA).

Eu estive lá por apenas um dia, mas trouxe comigo muito a compartilhar, e ontem à noite foi a oportunidade de abordar ela como tema e apresentar alguns vinhos nela expostos para ilustrar minha experiência nela, no evento “Seleção Privada”.

SOBRE QUEM ORGANIZA A WSA:

A Milanez & Milaneze, sediada no Espírito Santo, atua há mais de 20 anos com feiras de negócios. São atualmente 6 feiras, entre elas a Wine South America – em associação ao grupo Veronafiere, líder na realização de exposições na Itália (entre elas a Vinitaly) e segundo em volume de negócios na Europa.

A 2ª WINE SOUTH AMERICA EM NÚMEROS:

  • Maior evento profissional de vinhos na América Latina
  • 300 marcas expositoras
  • Presença de 13 países expositores, ampliando a internacionalização do evento
  • Participação brasileira com 180 marcas
  • Do total, 26% dos expositores (80 marcas) estrearam no evento
  • 45 vinícolas gaúchas e catarinenses presentes nos estandes coletivos
  • Projeto Comprador contou com a participação de 230 profissionais do Brasil e do Exterior (países da América do Sul, Estados Unidos, Reino Unido, China, Rússia, China, Polônia, Noruega, Curaçao e Suriname).
  • Público de 6,6 mil pessoas de todos os estados brasileiros e de 21 países nos três dias de feira
  • Volume de negócios deverá ultrapassar os R$ 10 milhões nos 12 meses seguintes à realização da feira

DESTAQUES DA FEIRA (conforme divulgação):
Mercado

Importadores de vinho buscam comercializar vinhos brasileiros com marca própria;

Importância do e-commerce no mercado brasileiro:

  • de 8 milhões de consumidores de vinho online no Brasil, dos quais 1,7 milhão faz compras regulares pela Internet;
  • As vendas online cresceram 40% no último ano;
  • O perfil do comprador online é jovem, com maior disposição a provar novidades, renda elevada e consome vinhos mais regularmente em comparação com os demais públicos;
  • Principais ‘players’: Wine (empresa com 11 anos, 140 mil sócios e mais de 1 milhão de clientes, considerada a precursora deste modelo de negócio no país), Evino (empresa com 6 anos, 950 mil clientes, e com cerca de 1,3 milhões de downloads no aplicativo);

Compras em supermercados:

  • Faixa entre 25 e 40 anos representam 50% desses consumidores, sendo as mulheres a maioria;
  • 50% das vendas são nas sextas e sábados;
  • 80% das vendas são de vinho tinto;
  • O preço médio da garrafa não alcança R$30,00.

DESTAQUES DA FEIRA (conforme minha percepção):

Mercado

• Apesar do nome, o grande foco da feira é a produção e mercado brasileiro, principalmente da região sul;

• Muitas importadoras pequenas que já comercializam em outras regiões do Brasil buscavam parceiros para comercializar no sul;

Produtos

• O vinho brasileiro está sendo bem mais aceito e valorizado;

• Há uma grande tendência mundial para vinhos pouco usuais: uvas, técnicas, estilos…

Exemplos:

a) Quinta São Sebastião (Lisboa, Portugal), produtor de Vinho Regional = Vinho de qualidade superior ao vinho de mesa, produzido com, no mínimo, 85% de uvas provenientes da uma região especificada. Hoje existem muitos vinhos regionais de qualidade igual ou superior aos vinhos DOC, havendo inclusive alguns bons produtores que, por não concordarem com as regras impostas pela comissões reguladoras dessa categoria, passam a rotular seus vinhos como Regionais.
Apresentou um 100% Cercial (uva utilizada no Madeira seco);

b) Maturana (Colchagua, Chile), elabora vinhos que resgatam a história da vitivinicultura local: Naranjo (vinho laranja, 100% Torontel) e Negra (vinho tinto, 100% Negra San Francisco, também conhecida como Mollar Cano, ou Negramoll);

c) Villagio Conti (Serra Catarinense, Brasil) elabora vinhos com castas italianas, algumas destas pouquíssimo conhecidas, como Pignolo e Ribolla Gialla.

SELEÇÃO PRIVADA

A seleção que fiz para o evento de ontem ilustrou o que mais me chamou a atenção na WSA como tendência em estilo de vinhos: a busca por uma identidade própria.

Este é um caminho que exige tempo, audácia, determinação e investimento, e o qual pode levar ao sucesso se envolver trabalho árduo e competência.

Esse momento da vitivinicultura é mencionado na frase que resume a análise sobre este lado do mapa por Alistair Cooper MW, em seu artigo na recente edição da Decanter sobre os ‘próximos ícones da América do Sul’:

“Parte guiado pela mudança climática e parte pela curiosidade, o cenário do vinho na América do Sul está desafiando e redefinindo o que é possível.”

Os vinhos que ilustraram ontem este enfoque, foram apresentados na WSA e aqui os menciono:

Davo Chardonnay 2019, resultado de um jovem empreendimento em Ribeirão Branco – São Paulo: Família Davo, cujos vinhedos estão localizados a 800 ms.n.m. desta região vitivinícola fora do eixo convencional.

A vinícola contou com a consultoria do engenheiro-agrônomo Murillo Albuquerque Regina, PhD em vitivinicultura e enologia pela Universidade Bordeaux, na França, que desenvolveu no Núcleo Tecnológico Uva e Vinho da Epamig (Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais) o sistema de dupla-poda.

Em breve a própria Davo também terá vinhedos convertidos neste sistema, uma propriedade sua no sul de Minhas Gerais.

Casa Valduga Sur Lie Nature, da tradicional vinícola Casa Valduga do Vale dos Vinhedos – Serra Gaúcha. Este espumante método tradicional é vendido com os sedimentos de leveduras resultantes da autólise, de no mínimo 30 meses em cave.

Este foi um dos vinhos apresentados na Masterclass com Alistair Cooper MW que participei na WSA, e que está incluso na seleção do mesmo profissional para a edição de outubro da revista Decanter mencionada acima, como um dos 10 vinhos ícones da América do Sul.

Quinta de São Sebastião Reserva 2016, um corte de Syrah e Touriga Nacional que teve 12 meses de estágio em barricas de carvalho francês, da vinícola de mesmo nome, localizada em Arruda dos Vinhos – Portugal, a qual somente produz Vinho Regional de Lisboa por acreditar que um vinho D.O.C. poderia limitar as possibilidades de oferecer o melhor que produz.

Pignolo 2017, proveniente de São Joaquim na Serra Catarinense, onde a vinícola Villaggio Conti tem seus vinhedos a uma altitude de 1300 m.s.n.m.

Este é um vinho potente, de uma casta pouco usual fora de sua região de origem, Friuli na Itália, que tem muita expressão da fruta e taninos potentes, emoldurados por 18 meses de estágio em barricas de carvalho francês, em uma produção limitada a 1500 garrafas.

Um vinho incomum, que é um exemplo de arrojo, e que vale a pena provar novamente depois de mais alguns anos em garrafa – se ainda tiver alguma disponível.

Nossa discussão ontem foi bastante rica, com um grupo diverso de entusiastas e profissionais do vinho, com um único objetivo: refletir em conjunto o tema, aprender sobre ele e com os vinhos apresentados.

Saúde!

Marcia Amaral

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