Viagem de Estudos IV – 2ª parte

Seguindo a temática do primeiro dia de estudos: influência do carvalho no vinho, nossa tarde reservava descobertas e momentos incríveis na vinícola Leone di Venezia.

Chegando lá fomos recebidos pela enóloga Maikely Paim e o agrônomo Guilherme Duarte – ambos bastante jovens e muito dedicados.
Eles nos apresentaram o ciclo atual das vinhas e comentaram sobre as condições climáticas recentes que os têm feito perder o sono.

Visitamos o pequeno vinhedo da variedade Rebo para uma breve apresentação desta casta, a qual é um exemplo da busca por soluções às dificuldades enfrentadas em distintos terroirs. No caso do Brasil, um dos principais problemas é a umidade e os fungos resultantes desta.

Sobre a variedade Rebo:
Ela é um cruzamento entre Merlot e Teroldego, resultante dos trabalhos realizados pelo agrônomo Rebo Rigotti, em San Michele All’Adige (Trento - Itália), entre 1920 e 1948. 
Ela tende a ser uma variedade  menos vulnerável a doenças fúngicas, e na sua origem é conhecida por  “Merlot melhorado”.
Foi trazida da Europa para o Brasil em 2003, e após alguns anos foi introduzida na região de São Joaquim (Santa Catarina), onde tem apresentado maturação mais tardia.
Conforme estudo comparativo entre as duas regiões, em São Joaquim o ciclo da variedade Rebo é mais longo, pois o acúmulo térmico é menor, a precipitação pluviométrica e a radiação solar global acumulada são maiores do que em San Michele All’Adige.
As condições desta localidade da Serra Catarinense contribuem de maneira positiva na formação dos compostos fenólicos (incluindo resveratrol), mas dificultam a diminuição dos ácidos da variedade Rebo.
Os vinhos elaborados com Rebo tendem a ter as características das variedades que a originam, sendo tipicamente encorpados, de cor vermelho rubi, com aromas de frutas negras e tendem responder bem à maturação em carvalho.

Junto aos vinhedos da Rebo também esperava nossa primeira experiência: a degustação do espumante método tradicional sur lie da vinícola, onde conseguimos observar a diferença que faz a borras ainda em contato com o vinho.

Já no prédio da vinícola, conhecemos toda a estrutura que é necessária para a elaboração do vinho, o aproveitamento da gravidade para os processos, e o uso inteligente dos recursos naturais para a otimização desses.
A limpeza e higiene também foram destaque em nossa conversa, por serem fatores essenciais para a sanidade do vinho – como em qualquer alimento.

A primeira prova de vinhos na cantina foi de brancos, direto dos tanques de aço inoxidável, onde o frescor é preservado na elaboração, e em muitos desses o carvalho não será a escolha de maturação.

Por falar em estágio em barricas de carvalho, a sequência foi uma experiência preparada de maneira primorosa pelos nossos anfitriões. Maikely e Guillerme organizaram uma atividade lúdica com aromas relacionados ao carvalho americano e também ao francês, onde os participantes foram desafiados a usar o olfato para reconhecê-los.
Como é de se esperar, alguns aromas foram mais acessíveis de se desvendar e alguns surpreenderam.
Está foi a melhor experiência do dia – como era fácil de prever por toda dedicação e carinho empenhados para que ela acontecesse.

Para provarmos e comprovarmos o aprendizado do experimento, degustamos um Montepulciano 2019 que está estagiando em duas barricas diferentes: uma carvalho americano e outra francês.
Encerramos a visita com a degustação do Montepulciano já engarrafo da safra 2017, que teve um corte entre o que passou por barricas americanas e francesas, acompanhado de uma linda mesa com produtos regionais para nosso “vinho da tarde”.

Tudo um privilégio, proporcionado por um roteiro de atividades preparado exclusivamente para nosso grupo, com muita consideração de toda equipe da Leone di Venezia.

Saúde!
Marcia Amaral

Fontes de informação:
http://viveirosinigaglia.com/variedades/vinho-fino/rebo/
http://www.scielo.br/pdf/rbf/v37n2/0100-2945-RBF-37-2-281.pdf
https://www.raulvalente.pt/bebidas/alcoolicas/vinho/a-uva/

Créditos da foto de capa: Cristiane Gonzales Coelho

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