I.P. Campanha Gaúcha

Recentemente a Campanha Gaúcha ganhou reconhecimento de Indicação de Procedência para seus vinhos.
Neste artigo eu trago informações compartilhadas a respeito deste reconhecimento, e antes disto o esclarecimento sobre a diferença entre Indicação de Procedência (I.P.) e Denominação de Origem (D.O.).

Indicação Geográfica

Conforme Lilian Mendes Haber, em seu artigo “Indicação geográfica: notas sobre a indicação de procedência e denominação de origem”, a “Indicação Geográfica tem sua origem na percepção gradativa do Homem em consumir produtos de determinada região, por sua qualidade (sabores e aromas únicos, especiais) e notoriedade.”

Ela também relata que “a Indicação Geográfica é uma das modalidades de propriedade intelectual e no Brasil se desdobra em I.P.  e em D.O. .

Indicação de Procedência

A Indicação de Procedência está relacionada ao ‘saber fazer’ (Fr: savoir-faire, In: know-how).
Segunda a mesma autora, a I.P. guarda relação com o nome geográfico de seu território conhecido como centro de extração, produção, fabricação de um determinado produto agropecuário ou extrativista, e tem como fundamento a notoriedade.

Denominação de Origem

A Denominação de Origem está relacionada ao ‘terroir‘.
A mesma autora destaca que a “D.O. quando reconhecida passa a funcionar como a própria designação de um produto agropecuário ou extrativista, cujas qualidades estão intrinsecamente ligadas de forma exclusiva ou essencial ao meio geográfico, incluídos fatores ambientais, como a qualidade e composição da terra e humanos o modo de manejo peculiar de um determinado produto, ou seja a tipicidade.

I.P. Campanha gaúcha

Em material recebido sobre a divulgação do reconhecimento, há a menção de que a nova Indicação Geográfica (IG) foi o resultado de mais de 5 anos de pesquisa, discussões e estudos de um grupo interdisciplinar coordenados pela Embrapa Uva e Vinhos do Rio Grande do Sul. Aprovada pelo Inpi no início de maio na modalidade de I.P., a designação poderá ser utilizado pelas vinícolas da região a partir deste ano (2020), para os vinhos finos, tranquilos e espumantes, em garrafa.

A Campanha Gaúcha está situada entre os paralelos 29º e 32º Sul e trata-se de uma zona ensolarada, com as temperaturas mais elevadas e o menor volume de chuvas entre as regiões produtoras do Sul do Brasil.
Ao mesmo tempo, as parreiras – predominantemente plantadas em sistema de espaldeira – foram estabelecidas em grandes extensões de planície com encostas de baixa declividade, o que favorece a mecanização das colheitas, reduz os custos e potencializa a escala produtiva – segundo o o pesquisador da Embrapa Uva e Vinho, Jorge Tonietto.

De acordo com Clori Giordani Peruzzo, presidente da Associação dos Vinhos da Campanha Gaúcha na época do reconhecimento da I.P., outra característica importante é a boa drenagem dos solos, que somada aos outros fatores propicia a ótima qualidade das uvas. Ainda, ela ressalta que 15 das 18 vinícolas da região são de pequeno porte. Ainda assim, a região tem grande peso na produção nacional de vinhos: 31% dos vinhos finos produzidos no país, segundo a Embrapa.

A I.P. é válida para vinhos finos tranquilos – incluindo tintos, brancos e rosés – e espumantes – produzidos pelos métodos charmat ou tradicional. Além disso, os vinhos devem ser elaborados a partir das 36* variedades de vitis viníferas permitidas pelo regulamento, plantadas em sistema de condução em espaldeira e respeitando os limites máximos de produtividade por hectare e os padrões de qualidade das frutas que seguirão para a vinificação. Finalmente, os vinhos precisam ser avaliados e aprovados sensorialmente às cegas por uma comissão de especialistas. Por ora, apenas vinhos em garrafa poderão receber o selo.

Esta é uma conquista para a região, que pode refletir em uma garantia da qualidade de seus produtos.
Porém, fico espantada com o número de castas possíveis, o que certamente trás bastantes possibilidades de explorar o potencial da região.
Quem sabe no futuro, após muito tempo de consistência de qualidade e de uma real identificação da tipicidade, possa direcionar a Campanha Gaúcha ao reconhecimento de uma Denominação de Origem.

Saúde!
Marcia Amaral

Nota: 
*As variedades permitidas são: Alfrocheiro, Alicante Bouschet, Alvarinho, Ancelotta, Barbera, Cabernet Franc, Cabernet Sauvignon, Chardonnay, Chenin Blanc, French Colombard, Gamay, Gewurztraminer, Grenache, Longanesi, Malbec, Marselan, Merlot, Moscato Branco, Moscato de Hamburgo, Moscato Giallo, Petit Verdot, Pinot Grigio, Pinot Noir, Pinotage, Riesling Itálico, Riesling Renano, Ruby Cabernet, Sangiovese, Sauvignion Blanc, Semillon, Syrah, Tannat, Tempranillo, Touriga Nacional, Trebbiano e Viognier.

Fontes de Referência:
Indicação geográfica: notas sobre a indicação de procedência e denominação de origem, por Lilian Mendes Haber, disponível em https://jus.com.br/artigos/13710/indicacao-geografica-notas-sobre-a-indicacao-de-procedencia-e-denominacao-de-origem, acessado em 01/07/2020.
Nova IP da Campanha Gaúcha será lançada este ano em safra histórica, por Winext, enviado como artigo por email.

Crédito da Foto: 
Silvia Tonon, disponível em https://ibravin.org.br/Noticia/dia-do-vinho-2017-entra-na-ultima-semana-com-feiras-shopping-simposio-passeio-em-carro-antigo-um-assado-na-praca-e-ate-cavalgada/280, acessado em 14/07/2020.

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